
Fig 1. Como o El Niño pode afetar o planeta? Crédito: Picryl/Wikimedia Commons
Fenômeno climático El Niño volta a ganhar mais intensidade em 2026, mas o que isso pode significar para o planeta e seus habitantes?
O que é o “Super El Niño”? O que o difere do El Niño “tradicional”? Ele pode causar mais situações climáticas complexas para o ser humano? São perguntas que envolvem preocupações naturais e esperadas, mas talvez você não saiba ainda o que isso significa e como pode impactar sua vida pelos próximos meses.
Trata-se de uma variação do fenômeno climático já conhecido, intensificado e com a possibilidade de causar mais desastres naturais em diversas partes do mundo. E não é a primeira vez que ele acontece.
Estimativas da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, em inglês) de junho de 2026 apontaram para uma alta probabilidade (superior a 80%) de ocorrência do El Niño muito forte já no segundo semestre de 2026 e com possibilidade de persistência até o início de 2027. Em agosto de 2026, a previsão da NOAA foi atualizada. Segundo agência climática dos Estados Unidos, a chance do fenômeno atingir uma intensidade muito forte nos próximos meses subiu para 95%. A previsão vale para o mundo todo, inclusive para o Brasil.
Entenda o que, de fato, isso representa e mais detalhes a respeito do fenômeno.
O que é o El Niño?
El Niño é um fenômeno climático que é gerado a partir da oscilação de temperatura da superfície do mar e da variação de ventos. Quando ocorre um aquecimento igual ou maior do que 0,5 °C nas águas do Oceano Pacífico, o fenômeno é considerado ativo e há um calor acima da média, influenciando o clima de diversas maneiras.
Dependendo da região do país, no caso do Brasil, é possível que o El Niño gere calor mais extremo ou que seja a causa de chuvas mais intensas, desregulando as previsões esperadas.

Fig 2. El Niño mais intenso também pode causar chuvas mais violentas. Crédito: Picryl/National Parks Gallery
O fenômeno não tem uma data específica de surgimento, mas seu nome, “O Menino”, em espanhol, tem registros iniciais em 1892. Neste ano, um capitão da marinha peruana, Camilo Carrillo, falou em um congresso que marinheiros locais nomearam o fenômeno “El Niño” porque ele era mais intenso perto do Natal.
Certamente trata-se de um fenômeno milenar, que já era percebido por civilizações mais antigas, mas seus termos originais, e possivelmente indígenas, se perderam na história e ainda não há registros oficiais descobertos a respeito deste contato de povos originários com o El Niño.
Como o El Niño de grande intensidade surgiu?
Apesar de ter recebido mais atenção nos meses mais recentes de 2026, o “Super El Niño”, que é o El Niño de grande intensidade, não é um fenômeno novo. Já houve registros do termo nos anos 80, 90 e em meados da década de 2010. Vale registrar também que o nome não é científico e não está registrado em documentos oficiais. É apenas um “apelido popular”, usado principalmente pela imprensa – possivelmente para dar uma dimensão maior e mais atenção que a situação exige.
Além disso, manifestações similares já ocorreram em anos anteriores, como em 2015. Naquele ano, o fenômeno climático impactou diretamente o Brasil, com secas no Norte do país, além de ter vitimado mais de 4 mil pessoas no mundo todo.
Em 2026, a dúvida agora não é mais se o fenômeno vai acontecer, mas sim “como e quando”.
Possíveis consequências em 2026
Os efeitos no Brasil podem variar de acordo com a região. Por ser um país continental e com diversos biomas ou particularidades, nosso território deve apresentar variações até mesmo no tipo de impacto – alguns piores, outros menos graves.
Para o Nordeste e Norte, por exemplo, é possível que o El Niño agrave períodos de seca. Em outras regiões, como no Sudeste e arredores, podemos ter calor mais intenso e mudanças repentinas no comportamento de frentes frias.

Fig 3. Calor pode se intensificar com o El Niño. Crédito: Pixabay/Picryl
Os impactos podem ser sentidos tanto para quem mora em áreas urbanas quanto em regiões rurais, onde agricultores podem ter prejuízo, devido a queimadas ou até falta de água. Isso causaria oscilação no preço de alguns alimentos, mas não é possível prever quais e quanto.
É possível ainda que haja outros efeitos. Segundo nota técnica de junho de 2026 do Observatório de Clima e Saúde (ICICT/Fiocruz), elaborada em colaboração com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o momento também exige “reforço da vigilância de doenças infecciosas, como a leptospirose, doenças diarreicas, hepatites, dengue, zika, chikungunya, além de agravos respiratórios, eventos relacionados à exposição a fumaça e calor”. Os cientistas defendem ainda atenção para a saúde mental e que autoridades e profissionais de saúde busquem implementar ações para garantir que não haja interrupção de cuidados de pessoas com doenças crônicas. Para a população, a principal dica é ficar de olho em canais oficiais e entender, além de seguir, possíveis direcionamentos em caso de previsão de acidentes, clima hostil ou perigos naturais.
Não há uma data ou mês específico para os efeitos do possível Superl El Niño ocorrerem, mas tenha sempre atenção a instruções para agir rápido em caso de necessidade ou para buscar socorro.
Saiba mais:
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Mudanças climáticas do passado: o clima sempre foi assim?
Fontes consultadas:
Boeckel, Cristina. El Niño vai aumentar riscos de temporais no RJ a partir da primavera; verão será mais quente que a média. G1 Disponível em: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/07/26/el-nino-vai-aumentar-riscos-de-temporais-no-rj-a-partir-da-primavera-verao-sera-mais-quente-que-a-media.ghtml. Publicação em: 26 jul 2026. Acesso em: 4 ago 2026.
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Haddad, Caroline. Super El Niño 2026: o que esperar e porque precisamos nos preparar. Greenpeace Brasil Disponível em: https://www.greenpeace.org/brasil/blog/super-el-nino-2026/. Acesso em: 4 ago. 2026.
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Messias, Ney. Instagram. Disponível em: https://www.instagram.com/p/Dbk3DIGxzQo/. Publicação em: 3 ago 2026. Acesso em: 4 ago. 2026.
Observatório de Clima e Saúde/ Laboratório de Informação em Saúde/Icict/Fiocruz e Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Nota Técnica — Chegada do El Niño e potenciais impactos sobre a saúde, os desastres e a organização da resposta pública no Brasil. Disponível em: https://climaesaude.icict.fiocruz.br/observatorio-de-clima-e-saude-da-fiocruz-lanca-nota-tecnica-sobre-chegada-do-el-nino-e-potenciais. Publicação em: 19 jun 2026. Acesso em: 13 ago 2026.
Peixoto, Roberto. Chance de El Niño muito forte entre outubro e dezembro chega a 95%, diz agência climática dos EUA. Disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/08/13/chance-de-el-nino-muito-forte-entre-outubro-e-dezembro-chega-a-90percent-diz-agencia-climatica-dos-eua.ghtml. Publicação em: 13 ago 2026. Acesso em: 13 ago 2026.
Por Felipe Vinha
Data Publicação: 21/08/2026
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