
Fig 1. Pessoas podem desenvolver sepse durante uma internação ou fora dos hospitais. Crédito: nicoletaionescu/Getty Images
Da Grécia Antiga aos dias atuais, conhecimento sobre a sepse vem evoluindo ao longo do tempo
Quando um microrganismo entra em nosso corpo e causa uma infecção, o sistema imune é ativado. Algumas vezes, no entanto, a reação do organismo pode ser tão desregulada que promove danos em tecidos e órgãos. Esse quadro recebe o nome de sepse e é uma das causas de morte mais frequentes em todo o mundo.
Uma análise publicada na revista científica Lancet Global Health estimou que, em 2021, ocorreram 166 milhões de casos de sepse em todo o mundo, o que equivale a quase duas vezes a população de toda a Região Sudeste do Brasil. A doença também provocou a morte de 21,4 milhões de pessoas.
Mas o que sabemos sobre a sepse? Para responder a essa pergunta, primeiro, vamos dar um passeio pela Grécia Antiga!
A origem do termo sepse
O termo sepse vem do grego sepo, que significa “putrefação” ou “apodrecimento”. Poemas de Homero (século 8 a.C), escritos há mais de 2.500 anos, já registravam seu uso em contexto médico.
A palavra seguiu sendo mencionada ao longo do tempo por personagens importantes da medicina como Hipócrates (460-377 a.C) e Aristóteles (384-322 a.C), mas foi no século 19 que o conceito começou a ser mais bem compreendido.
Em 1847, o médico húngaro Ignaz Semmelweis (1818-1865) demonstrou a importância de lavar as mãos para evitar a sepse que ocorre após o parto. A descoberta partiu da observação de que, dentro do mesmo hospital, as mulheres quedavam à luz com auxílio de parteiras desenvolviam menos sepse do que aquelas que eram atendidas por estudantes de medicina.
Semmelweis identificou que a chance de desenvolver sepse era maior quando o atendimento era feito por estudantes de medicina porque eles realizavam autópsias e partos em sequência sem lavar as mãos. Ao instituir uma política de higienização das mãos, o médico viu as taxas de sepse no pós-parto despencarem em sua enfermaria.
Outros nomes importantes também contribuíram para entender melhor a sepse. Entre eles, Louis Pasteur (1822-1895) e Robert Koch (1843-1910), que ampliaram o conhecimento sobre infecções. Pasteur mostrou que microrganismos vinham do ambiente externo e se multiplicavam no organismo, enquanto Koch criou métodos para isolar e cultivar bactérias, o que possibilitou compreender que diferentes infecções eram causadas por microrganismos específicos.
Acrescentamos ainda a essa lista o cirurgião britânico Joseph Lister (1827-1912), que criou um tratamento antisséptico responsável por reduzir as taxas de morte por sepse pós-operatória.
Esses e outros cientistas foram importantes para construir a base do conhecimento que temos hoje em dia sobre a sepse.

Fig 2. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que até 70% das infecções relacionadas à assistência à saúde podem ser evitadas com medidas simples como a higienização adequada das mãos. Crédito: laflor/Getty Images
Qualquer infecção pode levar à sepse?
Atualmente, a sepse é caracterizada como uma condição crítica em que a resposta do corpo à infecção, em vez de proteger, acaba provocando falência orgânica potencialmente fatal. Na maioria das vezes, a sepse está associada a infecções bacterianas. No entanto, embora mais raro, também pode ser causada por infecções por fungos, vírus e protozoários.
O quadro pode começar a partir de uma infecção em qualquer parte do corpo, porém se inicia de forma mais frequente nos pulmões, abdômen e trato urinário.
Mas, calma! Na maioria das pessoas, as infecções não levam à sepse. Embora ela possa ocorrer em qualquer um de nós, existem alguns grupos que têm maior risco, entre eles, pessoas hospitalizadas, idosos, crianças muito pequenas, gestantes e pessoas com algumas doenças crônicas e com sistema imunológico enfraquecido.
Sintomas vão da febre à confusão mental
Os sinais mais comuns de sepse incluem febre, frequência cardíaca acelerada, respiração rápida, confusão mental e dores pelo corpo.
Quando a sepse é causada por infecção bacteriana, além dos sintomas, a presença de bactérias na corrente sanguínea reforça o diagnóstico.
A síndrome pode evoluir para choque séptico (sobre o qual vamos saber mais abaixo!), falência de órgãos e até morte.

Fig 3. Confira no esquema acima a evolução da sepse bacteriana. Crédito: ttsz/Getty Images (adaptado por Invivo)
O que é o choque séptico?
A forma mais grave da sepse é conhecida como choque séptico. Nesse caso, a disseminação da infecção por vários órgãos leva à redução acentuada da pressão arterial, o que pode ser fatal.
O quadro é especialmente grave porque prejudica o fornecimento de sangue para os órgãos, comprometendo seu funcionamento.
Prevenindo a sepse
Lá no século 19, cientistas já determinaram a importância da lavagem das mãos e isso vale até hoje! A adoção de boas práticas de higiene é uma das medidas mais importantes para evitar infecções, porém existem outras ações importantes.
Manter a caderneta de vacinação em dia é mais uma medida de prevenção, assim como ter acesso a saneamento e água potável.
E, uma vez desenvolvida a sepse o diagnóstico e o tratamento precoces são outras ações essenciais para aumentar as chances de sobrevivência.
Saiba mais:
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Fontes consultadas:
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Por Teresa Santos
Data Publicação: 14/09/2026
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